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4 min de leitura

Lixo eletrônico: por que não pode ir para o lixo comum

Os números da ONU sobre lixo eletrônico, o que a lei brasileira manda fazer com aparelhos usados e o que o projeto já coletou na Camorim.

Pilha de equipamentos eletrônicos descartados: carcaças metálicas, um monitor, rádios e fios, junto a papelão e uma boia de emergência laranja.

Tem uma gaveta em quase toda casa: celular antigo, carregador sem aparelho, fone que só toca de um lado. Esse monte parado é só a ponta de um assunto grande. Este texto junta o que a ONU mediu, o que a lei brasileira determina e o que o projeto fez numa coleta.

O que a ONU mediu

O Global E-waste Monitor 2024, relatório das Nações Unidas sobre lixo eletrônico, traz estes números:

  • Em 2022, o mundo gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico, 82% a mais do que em 2010.
  • Só 22,3% desse total foi documentado como coletado e reciclado de forma adequada.
  • A projeção para 2030 é de cerca de 82 milhões de toneladas. O relatório calcula que a geração cresça cerca de 2,6 milhões de toneladas por ano e que a taxa de coleta e reciclagem documentada caia para 20%.
  • Cerca de 62 bilhões de dólares em recursos naturais recuperáveis não foram documentados como coletados e reciclados.

Em outras palavras: produzimos cada vez mais, e a parcela que volta para o ciclo é pequena. A conta do que fica de fora é um problema ambiental e uma perda de material.

O que a lei brasileira diz

No Brasil, aparelho eletrônico não é lixo comum, e isso está na lei. A Lei 12.305/2010, em seu artigo 33, obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a estruturar a logística reversa de pilhas e baterias, de certas lâmpadas e de "produtos eletroeletrônicos e seus componentes". Logística reversa é o caminho de volta: o produto que acabou é devolvido ao setor que o colocou no mercado, para reaproveitamento ou destino adequado.

O Decreto 10.240/2020 regulamentou esse sistema para os eletroeletrônicos de uso doméstico. Ele diz o que cabe a cada lado. Ao consumidor, cabe:

  1. Separar o produto dos outros resíduos.
  2. Apagar dados e informações pessoais antes do descarte.
  3. Entregar o produto desligado, nos pontos de recebimento específicos.

Ao entregar, o consumidor deixa de ser dono do produto e reconhece que os dados que sobraram são irrecuperáveis. O decreto também estabelece que os comerciantes devem informar os consumidores nos pontos de recebimento, receber e armazenar temporariamente os produtos e devolvê-los a fabricantes e importadores.

Um ponto prático: antes de levar celular, tablet ou computador usado, apague o que for pessoal. Quem entrega assume o risco do que ficou dentro.

O que o projeto fez

Em 2025, a Nova Atmosfera participou de uma coleta de lixo eletrônico dentro da Camorim, com cerca de 300 kg no total. Em abril de 2026, o projeto publicou um vídeo sobre o exemplo dado na Camorim, com "separação, coleta adequada e destino final garantido", segundo a legenda do post.

Isso não resolve a gaveta de ninguém. Mas mostra o caminho em escala pequena: um lugar que se organiza para separar, um destino conhecido, um registro do que saiu.

Onde levar

O endereço depende da cidade e do tipo de produto, e muda com o tempo. A CLIN, a companhia de limpeza urbana de Niterói, atende pelo 0800 367 9100, número divulgado nas notas da Prefeitura de Niterói sobre a coleta seletiva. Para pilhas e baterias, o assunto tem um texto à parte, com a lei e o que perguntar antes de sair de casa: Pilha e bateria usadas: onde descartar e o que diz a lei. Antes de ir a qualquer ponto, ligue ou escreva e confirme se ele recebe o seu tipo de aparelho.

Uma alternativa que costuma funcionar: lojas e fabricantes. Pela lei, o comércio de eletroeletrônicos tem obrigações no sistema de retorno, e vale perguntar na loja onde você comprou.

Três dicas curtas

  • Conserte primeiro. O item mais sustentável é o que você já tem. A lei coloca a não geração e a redução de resíduos antes da reciclagem.
  • Doe o que funciona. Um celular que liga ainda serve a alguém.
  • Guarde menos tempo. Quanto mais um aparelho passa parado na gaveta, mais difícil fica achar quem o aproveite.

Por que isso entra num projeto sociocultural

Porque sustentabilidade é um dos quatro pilares da Nova Atmosfera, e porque o assunto liga com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12, consumo e produção responsáveis. Para ver o conjunto, leia Os 17 ODS e o que eles têm a ver com o seu bairro.

Sua voz é ouvida

Você sabe onde descartar um aparelho eletrônico perto de casa? Se sabe, conte para a gente, porque o endereço certo ajuda os vizinhos. Se não sabe, conte também: é por aí que a gente descobre o que falta. Escreva na seção Sua voz é ouvida.

Para saber mais: instagram.com.

Fontes deste texto

De onde vem cada informação. Se algo mudou, avise a equipe.

  1. Global E-waste Monitor 2024ewastemonitor.info
  2. Lei 12.305/2010planalto.gov.br
  3. Decreto 10.240/2020planalto.gov.br
  4. Instagram.cominstagram.com

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