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Por que um estaleiro patrocina cultura

A Camorim, estaleiro da Ilha da Conceição, patrocina a Nova Atmosfera. O que uma empresa de rebocadores tem a ver com dança, costura e Dia das Crianças.

Estaleiro à beira da baía, com guindastes, rebocadores e uma grande barcaça preta com a inscrição EQUIP. 118 em primeiro plano.

À primeira vista, é uma combinação curiosa: uma empresa de rebocadores e de estaleiro apoiando espetáculo de dança, oficina de costura e Dia das Crianças. Mas, quando a gente escuta quem trabalha lá, a combinação fica bem menos estranha.

Uma empresa que nasceu no bairro

A Camorim Serviços Marítimos tem sede na Ilha da Conceição, em Niterói. Num vídeo institucional, os colaboradores contam a história da empresa. A narração começa pelo início: "A Camorim nasceu com cinco colaboradores e dois rebocadores pequenos, mas que trabalharam bastante no início."

Muita gente que trabalha lá é do bairro. Um colaborador conta: "Eu sou morador da Ilha da Conceição, eu vi a empresa chegando aqui e sonhava em trabalhar nesse lugar." Outro lembra a própria trajetória: "Entrei como auxiliar de serviços gerais. Hoje eu sou condutor de máquinas na empresa."

Quando a empresa e o bairro se misturam assim, cuidar do entorno deixa de ser favor. Vira cuidar da própria casa.

O que a Camorim diz

Sobre o apoio ao projeto, a coordenadora de marketing e comunicação da empresa disse, numa gravação: "Você já sabe que estamos de cara nova e essa mudança vai muito além da nossa identidade visual." E descreveu a Nova Atmosfera como "um movimento lindo que leva arte, cultura, educação e sustentabilidade para a comunidade da Ilha da Conceição e Niterói". A promessa foi de "atividades e oficinas de capacitação, além de levar ações socioculturais para escolas e creches da região".

Em outra gravação, a empresa afirma que "a sustentabilidade é o pilar principal do nosso projeto" e que busca "soluções conscientes em todas as nossas ações para gerar impacto positivo". Isso é a posição da Camorim, e a gente a registra como tal.

Do macacão à ecobag

O exemplo mais concreto dessa ponte entre empresa e projeto talvez seja o dos uniformes. Cerca de 140 macacões de trabalho da Camorim, que iriam para o descarte, foram lavados, cortados e costurados em ecobags, necessaires, chaveiros e carteirinhas, pela fábrica-escola Mulheres do Sul Global. O que era resto do estaleiro virou renda para mulheres e produto com história.

O que muda na prática

Para quem mora em Niterói, o que importa é o que chega à quadra, à escola e ao teatro. Em 2025, o apoio sustentou, entre outras ações: o espetáculo Pé de Cachimbo em 7 escolas públicas de Niterói, em 14 apresentações; o Dia das Crianças na Ilha da Conceição, com cerca de 1.200 pessoas; e o caso dos macacões.

Quem esteve lá percebeu. Um representante da Escola Villa-Lobos agradeceu na gravação "ao projeto estruturado dentro dos nossos alunos". Uma espectadora do Teatro da UFF disse: "Quero agradecer a empresa Camorim por estar patrocinando todo esse espetáculo."

E o que a empresa ganha?

É uma pergunta legítima. A resposta honesta é: um bairro mais vivo ao redor de onde ela trabalha, uma relação mais próxima com os vizinhos e com os próprios colaboradores, e uma marca associada a algo que faz bem. Não é preciso fingir que patrocínio é só caridade, nem só marketing. Uma empresa pode ter as suas razões e, ao mesmo tempo, apoiar algo que beneficia a comunidade. As duas coisas podem ser verdade, e o projeto prefere dizê-las em voz alta.

Sua voz é ouvida

Que ação cultural você gostaria de ver no seu bairro, e que empresa daí poderia apoiar? Conte na seção Sua voz é ouvida. A gente lê cada mensagem. E, para entender os três pilares que sustentam o projeto, leia Os 3 pilares da sustentabilidade, na prática.

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