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O que fica depois da apresentação nas escolas

Educadores e integrantes do elenco contam o que viram quando o Pé de Cachimbo foi a escolas públicas de Niterói, e o que a arte-educação pede depois.

Alunos de uniforme sentados no chão da quadra, de costas, assistem a bailarinos que dançam sobre uma lona, ao lado de um banner da Nova Atmosfera.

Num texto anterior, a gente contou como o palco foi até a quadra: Pé de Cachimbo nas escolas. Agora a pergunta é outra. Passada a salva de palmas, o que fica? Aqui estão as falas de quem estava lá, de dentro da escola e do elenco, sem adjetivo nosso por cima.

Os números, só os fechados

Em 2025, o espetáculo Pé de Cachimbo, da Vivá Cia de Dança, foi a 7 escolas da rede pública de Niterói, em 14 apresentações. Cinco dessas escolas têm nome registrado no cronograma: Heitor Villa-Lobos, Nossa Senhora da Penha, Santos Dumont, Francisco Torres e Anísio Teixeira. Na primeira sessão, na Escola Villa-Lobos, na Ilha da Conceição, o projeto contou mais de 250 crianças.

Não vamos somar público total, porque os relatórios divergem. A gente prefere ficar com o que está fechado.

O que a escola disse

Uma agente de coordenação de uma escola municipal falou diante da câmera, no dia da apresentação: "É super importante a gente ter essa apresentação, as crianças conhecerem a arte, elas estarem próximas da arte, porque isso desenvolve o interesse, o conhecimento, a vontade de participar, a vontade de conhecer novas coisas, novos espetáculos, novos mundos."

E acrescentou: "A arte é muito importante para a gente, é importante para as crianças, é importante para a gente aprender coisas novas, viver coisas que a gente não alcança no nosso cotidiano."

Numa outra escola, uma pessoa da equipe escolar resumiu o dia: "Aqui nós somos uma escola de referência, e o espetáculo foi maravilhoso. Os alunos especiais prestaram atenção, gostaram. Os outros alunos também prestaram atenção, gostaram. Realmente é um espetáculo maravilhoso para adolescentes."

Dois detalhes chamam a atenção. Primeiro: o espetáculo, pensado para um público infantil, foi bem recebido por adolescentes. Segundo: ela cita, sem rodeio, que alunos com necessidades específicas também acompanharam. Quem frequenta escola sabe como isso importa.

Na Escola Villa-Lobos, um representante agradeceu em vídeo à parceria e ao projeto "estruturado dentro dos nossos alunos". Foi a primeira a receber a circulação, em parceria com a Administração Regional da Ilha da Conceição.

O que o elenco disse

Um bailarino da Vivá Cia de Dança gravou, antes de uma sessão na Escola Nossa Senhora da Penha, com a baía de Guanabara ao fundo: "É um projeto incrível que proporciona arte e cultura para crianças que muitas vezes nunca tiveram esse tipo de contato."

"Muitas vezes" é uma expressão cuidadosa. Não diz "nunca", diz "muitas vezes". E é o tipo de coisa que só a pessoa que vê a plateia pode afirmar.

A lei já diz que arte é parte da escola

Vale lembrar o pano de fundo. A Lei 13.278/2016 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para dizer que as artes visuais, a dança, a música e o teatro são as linguagens que constituem o componente curricular Arte. Ou seja, dança e teatro não são "extra": são parte do que a escola deve oferecer. A realidade, porém, é desigual, e um espetáculo que chega à quadra ajuda a diminuir uma parte da distância.

E depois da palma?

A apresentação é um começo. Dá para pensar em três tipos de continuidade, e a gente prefere listá-las como perguntas, porque quem responde é a escola:

  • Conversa. Depois da sessão, a turma conversa sobre o que viu? O que lembrou de brincadeira de rua, de folclore, de infância?
  • Prática. Há espaço para uma oficina curta de dança ou teatro, ou para o professor de arte retomar o tema em aula?
  • Retorno. Quando o grupo volta, a escola já sabe o que gostaria de ver?

Uma sessão não substitui uma aula de dança, e a gente não pretende dizer o contrário. O que o registro mostra é que a escola recebeu bem e que quem estava lá achou que valeu. É um ponto de partida honesto.

O que a gente quer ouvir

Se você é professor, coordenador, diretor, mãe, pai ou aluno de uma escola pública de Niterói, queremos saber: o que ficou depois? O que você gostaria que acontecesse a seguir? Em que dia da semana e em que horário caberia na rotina da escola?

Escreva na seção Sua voz é ouvida. A gente lê cada mensagem, e as respostas ajudam a desenhar o que vem depois.

Para saber mais: instagram.com.

Fontes deste texto

De onde vem cada informação. Se algo mudou, avise a equipe.

  1. Lei 13.278/2016planalto.gov.br
  2. Instagram.cominstagram.com

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