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Mulheres do Sul Global: costura que transforma
Uma fábrica-escola de costura em Niterói ensina ofício a mulheres refugiadas, migrantes e brasileiras. Veja o que elas contam, com as falas gravadas.

Uma máquina de costura industrial faz barulho de trabalho. Em volta dela, numa fábrica-escola em Niterói, aprender e ensinar acontecem ao mesmo tempo. Este texto conta o que o coletivo Mulheres do Sul Global diz de si, nas palavras de quem esteve lá quando o projeto gravou.
O que é a fábrica-escola
A fundadora, Emanuela Pinheiro, apresenta assim o negócio de impacto: "Nós somos uma fábrica escola dedicada ao empoderamento econômico de mulheres refugiadas, migrantes e brasileiras através da costura."
Dá para ler a frase de duas maneiras, e as duas valem. A primeira: é uma escola, onde se aprende um ofício. A segunda: é uma fábrica, onde o ofício vira produto e renda. A ligação entre as duas é o que o coletivo chama de "geração direta" de oportunidade.
Quem chega sem saber, ensina depois
Blanca Patricia, colombiana, entrou no coletivo para fazer um curso, como tantas outras. Ela mesma conta: "A primeira vez que eu cheguei aqui, cheguei para fazer um curso, igual que outras pessoas, para me capacitar, porque não tinha a mínima ideia de o que era uma máquina de costura." Isso faz cinco anos.
Hoje, diz ela, "sou uma líder, ensino as pessoas de zero, o processo que eu também aprendi, e tento ser o mais prático possível, porque assim é mais fácil aprender". É um circuito curto: quem aprendeu vira professora, e a escola se renova por dentro.
Mel, outra costureira, completa a imagem com uma lembrança de ofício. Ela começou na costura montando macacões, do início ao fim. Quando o coletivo recebeu os uniformes da Camorim, a operação virou do avesso: "Hoje a gente está fazendo o inverso." Em vez de montar, desmontar para refazer. E ela diz que a maioria do que sabe aprendeu ali, "com a Manu, com a Blanca".
O caso dos macacões
Em 2025, o coletivo recebeu cerca de 140 macacões de trabalho da Camorim. Antes de chegarem à oficina, eles passaram pela Lavabene Lavanderia. Na oficina, foram cortados e costurados em ecobags, necessaires, chaveiros e carteirinhas, como contou a própria Emanuela. O primeiro ciclo rendeu cerca de 600 peças.
Para Emanuela, o que importa é o duplo efeito: "a gente previne, a gente resgata esse material de ir para o aterro e, ao mesmo tempo, a gente está trazendo mulheres, está alimentando a nossa linha de produção". Material que seria resíduo e gente que precisa de renda se encontram na mesma bancada.
Para quem quer entender melhor a diferença entre o que foi feito com o tecido e a reciclagem comum, leia Upcycling, reciclagem e reuso: qual a diferença.
O detalhe que quase ninguém nota
A ecobag dá nome ao caso ("de macacão a ecobag"), mas é uma parte pequena do que foi feito. Segundo o relatório do coletivo, as ecobags somaram 22 peças. A maior parte do primeiro ciclo foi de estojos, chaveiros, carteirinhas e necessaires. Isso não diminui o caso, só o descreve melhor: a costura aproveita cada pedaço, inclusive a faixa refletiva do uniforme.
Por que isso importa para a Ilha da Conceição
Mel faz questão de dizer o que significa trabalhar com uma empresa da cidade. Ela fala de "uma empresa de Niterói, da Ilha da Conceição, totalmente brasileira", "que emprega bastante gente, que trouxe bastante emprego para Niterói". Do outro lado, a intenção declarada no vídeo institucional da Camorim era que as peças chegassem aos funcionários e à comunidade da Ilha da Conceição, que "sempre acolheu a Camorim".
Em termos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o caso toca o ODS 5 (igualdade de gênero), o ODS 8 (trabalho decente e crescimento econômico) e o ODS 12 (consumo e produção responsáveis). Para ver todos os 17, leia Os 17 ODS e o que eles têm a ver com o seu bairro.
Como apoiar
A forma mais direta de apoiar quem faz é comprar de quem faz. Acompanhe o coletivo no Instagram @mulheresdosulglobal. E, se você conhece mulheres que gostariam de aprender a costurar, a conversa começa pelo perfil do coletivo.
Sua voz é ouvida
Qual foi o primeiro ofício que você aprendeu com alguém, e quem foi essa pessoa? Conte na seção Sua voz é ouvida. A gente lê cada mensagem.
Para saber mais: instagram.com; instagram.com.
Fontes deste texto
De onde vem cada informação. Se algo mudou, avise a equipe.
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